Após dois anos de aumentos muito significativos, com crescimento acima de 10% ao ano, espera-se que os preços das casas diminuam. As projeções apontam para uma valorização de cerca de 7% este ano, com uma desaceleração gradual nos anos seguintes. Mesmo assim, Portugal continuará entre os mercados que mais crescem na Europa. Isso nos diz duas coisas importantes: o ciclo continua positivo, mas entrou em uma fase mais madura.

A estabilidade vem de fatores estruturais. O fornecimento continua limitado. Menos está sendo construído do que o necessário, e os obstáculos regulatórios, a escassez de mão de obra e os custos de construção continuam restringindo a capacidade de resposta do setor. Enquanto esse desequilíbrio persistir, é improvável que os preços sofram correções abruptas

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Do lado da demanda, também não há sinais de fragilidade imediata. O mercado de trabalho mostrou resiliência, o desemprego permanece relativamente baixo e, apesar da pressão sobre o poder de compra, o número de famílias continua a crescer a um ritmo mais rápido do que a população. A demanda estrutural por moradias continua sólida, mesmo com a redução da demanda externa em alguns segmentos.

Mas há uma mudança. E essa mudança é relevante.

Portugal é agora apontado como um dos mercados mais sobrevalorizados da Europa em termos de relação preço/renda. A acessibilidade se tornou um tema central. Não só socialmente, mas também economicamente. Quando os preços crescem persistentemente acima dos rendimentos, a sustentabilidade a longo prazo é questionada

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Ao mesmo tempo, as condições financeiras não são mais tão favoráveis quanto no passado. As taxas de juros se estabilizaram e há pouco espaço para novos cortes de curto prazo. Isso retira um pouco de combustível do crescimento acelerado dos preços, introduzindo uma quebra natural no mercado

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No segmento de investimentos, os números mostram confiança, mas também seletividade. O volume total investido cresceu em 2025, com uma forte presença de capital internacional, mas com um retorno interessante do capital nacional. Escritórios, varejo e hospitalidade continuam atraindo interesse, enquanto a logística tem potencial devido à escassez de ativos de qualidade

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Em áreas residenciais, a tendência de descentralização talvez seja uma das mudanças mais relevantes. As capitais distritais fora dos grandes centros registram um crescimento significativo. Ilhas e regiões historicamente secundárias ganham destaque. O mercado português não é mais apenas Lisboa, Porto e Algarve. É mais distribuído, mais complexo e mais diversificado.

Essa é, para mim, a grande transformação silenciosa. O imobiliário português não é mais um mercado emergente. É um mercado observado, analisado e integrado às decisões estratégicas dos investidores globais. Essa maturidade traz estabilidade, mas também maior escrutínio

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O desafio para os próximos anos será gerenciar esse equilíbrio. Mantenha a confiança, garanta o fornecimento adequado, preserve a competitividade internacional e, ao mesmo tempo, responda à questão da acessibilidade.

A estabilidade existe. Mas a mudança também. E é justamente nessa saudável tensão entre os dois que se definirá o próximo capítulo do imobiliário em Portugal.