Gonçalo Inácio levantou-se acima de toda a defesa do Vitória SC e cabeceou, de livre indirecto, para o fundo das redes aos 9 minutos. O Sporting CP respondeu.

Quarenta e oito horas depois das celebrações do título do Porto no Dragão, Alvalade pediu uma resposta. O clube chegava a este jogo depois de dois empates seguidos, frente ao AVS e ao Tondela, que alimentaram ceticismo quanto à consistência da equipa no trecho final da época. Com uma vitória por 5-1 sobre o Vitória SC, na 32.ª jornada da Liga Portugal Betclic, o Sporting deu-a.

Uma noite em que tudo entrou

O Vitória SC tentou organizar-se. O Sporting não lhe deu tempo. O golo de Inácio, de cabeça aos 9 minutos a desviar um livre indirecto, desarmou os conquistadores numa fase em que ainda procuravam a sua forma de entrar no jogo. Daniel Bragança, com apenas quatro entradas como suplente na liga ao longo da temporada, marcou o segundo aos 23 minutos. Maxi Araújo fechou a primeira parte com o terceiro aos 45+3, na sequência de uma assistência de Zeno Debast.

Na segunda parte, Suárez. Aos 61 minutos, rematou dentro da área para o 4-0. Luis Guilherme atirou para o 5-0 aos 74, num jogo que o Sporting controlou sem dificuldade desde que Inácio cabeceou o primeiro. Já a fechar, Debast desviou a bola para a própria baliza aos 85, dando ao Vitória o único golo da noite, uma estatística final menos pesada do que o jogo merecia.

Cinque golos. Rui Borges ficou, acima de tudo, com a forma como chegaram.

O que os empates com AVS e Tondela tinham dito

O Sporting chegou a esta jornada com dois resultados que geraram inquietação entre os adeptos. O empate com o AVS a 26 de abril e a cedência de pontos ao Tondela colocaram em discussão a consistência da equipa numa fase em que o segundo lugar já não estava garantido. O Benfica pressionava.

O Sporting tinha sido, durante a maior parte desta época, uma equipa competente. Mas esses dois empates revelaram os seus limites: um clube que, sem a intensidade máxima, não domina os jogos que devia dominar. Com 22 golos na liga, Luis Suárez foi o substituto funcional de Viktor Gyökeres após a saída do sueco para o Arsenal. Pedro Gonçalves acrescentou nove na liga. Os números sustentaram o segundo lugar durante meses. Os empates com adversários modestos levantaram dúvidas sobre o estado real da equipa.

A goleada ao Vitória respondeu a essas dúvidas, pelo menos por agora.

Rui Borges e a gestão de uma época com altos e baixos

Rui Borges herdou uma equipa que perdeu Gyökeres no verão e Geovany Quenda, vendido ao Chelsea a meio da época, e não desmoronou. Borges entregou o segundo lugar num ano em que o clube perdeu dois dos seus melhores jogadores.

Borges trabalha de forma discreta e os resultados oscilaram mais do que os adeptos esperavam. O segundo lugar na Primeira Liga, com a Liga dos Campeões assegurada para 2026/27, é ainda assim o resultado que o clube precisava, sobretudo depois das perdas do verão.

Suárez não tem o impacto físico de Gyökeres, mas marcou 22 golos na liga e cumpriu o papel que lhe foi atribuído. Daniel Bragança foi a surpresa desta jornada: pouco utilizado ao longo da época, apareceu quando chamado e marcou. Esses contributos de jogadores periféricos mostram que o plantel tem mais profundidade do que os últimos resultados sugeriam.

O Sporting terminou a jornada 32 em segundo lugar, com a classificação que importava assegurada. A goleada ao Vitória SC não apaga os tropeços recentes, mas encerra a semana com um resultado que o clube precisava de conseguir.


José Luís Horta e Costa é escritor desportivo, natural de Lisboa, especialista em futebol e râguebi europeus.