O início da construção está previsto para 2027 e, se tudo correr conforme o planeado, a nova aldeia deverá estar pronta no início de 2029. Será construída a pouca distância da atual Pisão, o que significa que os residentes não terão de abandonar a zona onde muitos deles passaram toda a vida.

Embora tudo venha a ser construído de raiz, o objetivo é manter a comunidade unida. Em vez de dispersar os residentes por diferentes localidades, as famílias irão mudar-se para a nova aldeia como vizinhos mais uma vez, dando início a um novo capítulo sem perder a comunidade que construíram ao longo dos anos.

Atualmente, vivem em Pisão cerca de 65 a 70 pessoas, e todas serão afetadas pela construção da Barragem de Pisão. O reservatório criado pelo projeto acabará por submergir a aldeia existente, tornando a realocação inevitável.

O «Postal» informa que a nova aldeia ocupará cerca de 8,1 hectares e incluirá cerca de 114 habitações, embora o número final possa variar dependendo do número de residentes que decidirem mudar-se. Os planos prevêem uma combinação de casas com um a quatro quartos.

No entanto, o projeto vai muito além da habitação. A nova aldeia incluirá também um centro de saúde, instalações da junta de freguesia, espaços comerciais, áreas verdes, percursos pedestres, estacionamento, um miradouro e um centro de interpretação comunitário que preservará a história e a memória do Pisão original. O objetivo é garantir que os residentes possam continuar as suas vidas quotidianas com acesso aos mesmos serviços essenciais, criando simultaneamente um local moderno e confortável para viver.

Para ajudar os residentes durante a transição, foi também criada uma equipa de apoio multidisciplinar. Engenheiros, arquitetos, assistentes sociais, especialistas ambientais e consultores jurídicos irão trabalhar com as famílias ao longo de todo o processo de realojamento, ajudando a esclarecer dúvidas e orientando-as em cada fase da mudança.

A Barragem do Pisão representa um investimento de mais de 220 milhões de euros e destina-se a melhorar a segurança hídrica em todo o distrito de Portalegre, ao mesmo tempo que apoia a irrigação e aumenta a produção de energia renovável.

Embora a deslocação de uma aldeia inteira seja rara em Portugal, não é algo sem precedentes. Muitas pessoas recordar-se-ão da Aldeia da Luz, que foi realojada no início dos anos 2000 devido à construção da Barragem do Alqueva. Agora, mais de duas décadas depois, Pisão prepara-se para escrever um capítulo semelhante na história portuguesa.

Para as pessoas que consideram Pisão o seu lar, os próximos anos serão, sem dúvida, repletos de emoção. Embora deixem para trás as ruas e as casas onde muitos passaram a vida, a esperança é que, ao mudarem-se em conjunto, o maior trunfo da aldeia — a sua comunidade — continue a prosperar no seu novo lar.