Ao mesmo tempo, a Câmara Municipal de Mértola informa que a Barragem de Chança, em Espanha, também está a descarregar continuamente, situação que pode levar a níveis de água mais elevados e caudais mais fortes no rio Guadiana, a jusante.
As autoridades locais explicam que a água libertada pela Barragem de Pedrógão demora cerca de 18 horas a chegar ao Pulo do Lobo. Assim, qualquer subida sensível do caudal do rio em Mértola só deverá ocorrer após esse período.
Nestas condições, prevê-se um aumento gradual do caudal do rio Guadiana, com efeitos mais visíveis ao longo do dia de hoje, quinta-feira, segundo a Câmara Municipal de Mértola.
Recomenda-se que as pessoas "evitem a permanência ou circulação nas zonas ribeirinhas, margens e áreas habitualmente sujeitas a inundações", "não atravessem zonas submersas, vaus ou caminhos junto ao leito do rio", "tenham atenção redobrada nas actividades agrícolas, pecuárias ou de lazer junto ao rio Guadiana e cumpram rigorosamente as instruções das autoridades e serviços de proteção civil".
Em comunicado, a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva(EDIA) anunciou que, às 16 horas de quarta-feira, vai "abrir os descarregadores de fundo intermédios da barragem" para "descargas controladas".
Esta operação visa dar resposta "à persistência de elevadas afluências no Sistema Alqueva-Pedrógão, que têm elevado os níveis da albufeira para valores próximos do Nível de Pleno Armazenamento", explicou a empresa.
A água das descargas de Alqueva vai desaguar na Barragem de Pedrógão, que também faz parte deste empreendimento de fins múltiplos e que está a descarregar no Rio Guadiana desde o dia 21 deste mês.
"O caudal descarregado na Barragem de Pedrógão será na ordem dos 1500 m³/s", revelou a empresa gestora do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA).
Segundo a empresa, "o armazenamento em Alqueva vinha sendo gerido essencialmente através da exploração de aproveitamentos hidroeléctricos, permitindo a regulação de volumes e assegurando a produção de energia".
Paralelamente, explica, "a barragem de Pedrógão, localizada 23 quilómetros a jusante, efectuava descargas que contribuíam para a gestão das afluências".
No entanto, "dada a persistência de afluências elevadas, tornou-se necessário complementar esta operação com descargas controladas também em Alqueva, garantindo a manutenção das margens de segurança operacional da albufeira", justificou.
As descargas de água que começaram hoje em Alqueva deverão aumentar o nível e o caudal do rio Guadiana a jusante das barragens de Alqueva e Pedrógão. "Esta situação está a ser acompanhada de perto pela EDIA em coordenação com as autoridades competentes", refere o comunicado.
A albufeira de Alqueva tem uma cota máxima de 152 metros e pode conter até 4.150 hectómetros cúbicos de água.





